28.05.09

 

Talvez por estarmos habituados a ver a BD como uma arte para desenhadores, transcuramos o guião. O que é certo é que, com um mau guião, nunca se poderá fazer uma boa história, mesmo que o desenho seja de mestres.

Escrever um bom guião não é tão fácil como possa parecer à primeira vista nem tão difícil que não possamos aprender a escreve-lo. Se lermos as aventuras de Asterix escritas por Goscinny, ou as do Tenente Blueberry, por J. M. Charlier, entre outras, dar-nos-emos conta disso. Em primeiro não é só saber escrever, há algo bem mais importante como as sequências, acções, documentação, efeitos especiais, encadeados, ritmos, etc.

Imagine um arranha-céus construído sobre uns alicerces pouco profundos; pouco tempo após a sua construção este ruiria levando a tribunal o arquitecto e o construtor.

Na BD passa-se o mesmo ou quase: o arquitecto será neste caso o guionista; o construtor é o desenhador e os alicerces da obra são o guião, que, sendo “pouco profundo” mal construído, levaria à não publicação da história e, pior, desacreditaria as assinaturas dos seus autores para o futuro perante um publico que exige ser bem servido.

Pois bem, vamos iniciar com algumas descrições sobre composição do guião, e só na segunda parte darei um exemplo prático de como escrever uma história, da sua nascença até ao produto final.

O barco vai partir; segure-se bem!

 

 

 

 

 

 

publicado por apcinema às 20:52

Habitualmente, o guião dos filmes realizados profissionalmente é elaborado através das diferentes fases, a que passo a enumerar. Acontece por vezes que alguma destas fases seja anulada; outras vezes, pode suceder também que se façam várias tentativa em apenas uma delas.

1.      A sinopse

Trata-se de um breve resumo do assunto, o qual pode ser de grande utilidade quando se pretender vender a ideia a executivos ocupadíssimos.

Alguns autores têm alguma dificuldade em tentar resumir aquilo que não foi escrito na sua totalidade. Quando se trata de um guião adaptado de um romance ou de uma obra teatral, esta sinopse desempenha uma tarefa útil para o realizador, pois especifica uma linha selectiva da continuidade.

 

2.      O guião literário (ou tratamento da sinopse ou, ainda, argumento cinematográfico)

 

Trata-se de uma exposição mais vasta do tema, semelhante à forma de um conto. Quando for necessário o diálogo para que progrida o entrecho ou para dar a conhecer facetas de uma determinada personagem, o texto é mencionado entre aspas, como na literatura, e não se separa, como acontece na peça de teatro ou no guião cinematográfico.

 

 

3.      A sequência

Esta é a fase, consciente ou subconsciente, mais evitada pelo autor literário, que não tem qualquer tipo de experiência no cinema, e isto acontece devido ao facto de esta exigência ser raras as vezes expressa no contrato. Trata-se de uma tentativa relativamente antecipada de fazer uma lista de cenas que hão-de compor o filme, acompanhada de uma descrição sumária da acção que se vai desenvolver, prescindindo do diálogo ou de qualquer forma de embelezamento, tendo como objectivo descobrir, criar ou obter uma ideia aproximada do que vão ser os efeitos visuais produzidos ao longo do trabalho, mais do que os literários.

Este exercício é extremamente valioso e - caso se disponha de tempo e de talento - pode ser melhorado e realçado através de esboços que ilustrem algumas das sequências da filmagem e suas transições.

 

 

 

 

 

 

4.      A sequência literária

Trata-se de uma exposição ainda mais completa do que a traçada no guião literário e que se desenvolve geralmente depois da sequência.

Algumas vezes estas duas fases estão amalgamadas. Como alternativa, é provável que faça simplesmente parte do processo pelo qual se passa da sequência à sequência dialogada. Será ou não uma fase determinada por contrato, e por isso, pode ter que ser realizada dentro de um determinado lapso de tempo.

 

5. A sequência dialogada

É habitualmente a maior contribuição do autor que não se dedica ao cinema. Muitas vezes, tem diálogo excessivo, muita descrição e um grande número de repetições, a maioria das quais servirá apenas como indicações ou sugestões para o realizador, e nunca como partes do guião definitivo. O desenvolvimento posterior será extraído ou moldado a partir do material que se venha a obter  nesta etapa.

 

 

 

 

 

 

 

6. O guião por cenas ou por sequências

Qualquer que seja  o grau em que o realizador haja estado implicado nas cinco primeiras fases da preparação do guião, é fundamental e necessário que tenha consciência do papel decisivo que lhe compete desempenhar nesta etapa e nas subsequentes. Consiste basicamente em converter a sequência  dialogada em algo bastante semelhante ao plano geral. As cenas principais são unidades de acção autónomas, um pouco como nas cenas de Shakespeare, mas, quanto à duração, esta poderá abranger um par de segundos, 10 minutos, ou ainda mais.

Nesta fase, ainda não se dividem as cenas em grandes planos, planos longos, etc. O guião por cenas pode servir inicialmente como documento de trabalho para as fases iniciais de casting, concepção de produção, calendarização (desde que não tenha sido imposta previamente), e na orçamentação.

 

 

 

 

 

 

 

7.  A planificação ou pré-planificação

A partir da fase anterior, a planificação dependerá exclusivamente do método de trabalho do realizador. É provável que alguns comecem por dividir cada cena em todos os planos concebíveis e cheguem assim à primeira tentativa do plano de montagem. Outros, simplesmente, dedicam-se a refinar e aperfeiçoar o guião por cenas ou sequências, sem o dividir em planos.

Em princípio, esta planificação ou esboço é mais propriamente um processo  do que uma fase definitiva da planificação; é provável que se exija um texto escrito à máquina. Assim, não será mais que uma espécie de «cópia de montagem» em papel, comparável a uma «primeira montagem» ou mesmo à «montagem final».

 

8.  O guião técnico ou planificação técnica

O título explica-se a si próprio. Acrescente-se que, devido a pressões externas ou a novas «inspirações» da parte dos realizadores, pode haver várias versões finais. Mesmo quando já e iniciou a filmagem, muitas vezes ainda se fazem modificações. Uma medida habitual consiste em tomar nota num papel de cor diferente das novas correcções que vão sendo feitas, o que conduz frequentemente a que os guiões se assemelhem a um arco-íris uma vez terminada a filmagem.

O ideal seria que este guião definitivo da filmagem fosse a versão poli copiada para a totalidade do filme e que fosse ampliado através de séries de desenhos de referência de forma contínua (storyboard) definindo a composição de cada plano.

Alguns realizadores, pelo contrário, não podem - ou não querem - trabalhar desta forma.

Ao jovem realizador, no entanto aconselha-se que pondere seriamente todas as possibilidades antes de prescindir da planificação ou de toda a série de desenhos que possam acompanhá-la. Deve ver todos estes elementos não como barras de uma prisão, mas como ferramentas que lhe permitirão improvisar e aproveitar todas as oportunidades de última hora sem perder o fluxo do filme.

 

 

publicado por apcinema às 20:48

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